Quinta-feira, Outubro 01, 2009

(O beijo . Gustav Klimt 1862-1918)

Desenhar no silêncio, escrever no espaço entre a boca e o ouvido



Às vezes deparo-me com a inconsequente vontade de dizer as coisas que palpitam no peito. São como choques, de uma voltagem desconhecida. Quase posso sentir o gosto das palavras na boca. Mas tenho medo. Então penso, desenho-as no silêncio que fica. Cada uma delas, audaciosa, abandona minha temerosa garganta e espalha-se pelo ar. Vejo-as chegando onde deveriam chegar. É sonho. É vontade de fazer o que se quer. Mas não se pode.



Já escrevi um poema nesse caderno de ar. Tem um nome nesse poema. Tem um desejo lá também.



Mas fica tudo no interdito. É medo. Sabe aqueles sonhos em que você grita, grita e ninguém te ouve? Então...eu sussurro...digo coisas ótimas, que ficam perdidas. Talvez alguém um dia as encontre, as enxergue, bem defronte de seus olhos.



É teu nome no poema.



Uma imagem.



Beijos literários.




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